Essa é uma análise sobre o tempo que a TV aberta dedica a suas piadas, usando um ponto fora da curva que é o Tá no Ar: A Tv na Tv.

Esse texto foi escrito para ser experienciado em formato de vídeo, mas você também tem as opções de ouvir só o áudio ou acompanhar a transcrição abaixo.

Porque o Tá no Ar não deveria Existir

A primeira impressão que se tem ao ver esse tipo de piada no Tá no Ar, costuma ser bem parecida pra muita gente.

“Esse programa não deveria existir. Pelo menos não na globo.”

4 temporadas se passaram e o Tá no Ar continua de forma bem surpreendente (pelo menos pra mim) dando audiência em um canal aberto…

Ao mesmo tempo que agrada um público bem crítico, formado por… bem, por nós… que já temos na internet todo o entretenimento que precisamos.

Existe um detalhe na estrutura desse tipo de programa, que me ajuda a ilustrar essa sensação de estranhamento e ao mesmo me faz acreditar que é um milagre dos deuses da televisão… o Tá no Ar simplesmente existir…

Um detalhe que tem a ver com o tempo que a tv investe em suas piadas…

Pra perceber esse detalhe, primeiro vamos dar uma olhada nas comédias contemporâneas ao Tá no Ar na rede globo… Começando pela Escolinha do Professor Raimundo.

Escolinha do Professor Raimundo

Caso você não tenha visto essa nova versão do programa… Você só precisa saber que ela é igual a todas as outras versões do programa.

O professor em questão chama alguém. Piada pra cá, piada pra lá, pra cá e pra lá… E no meio disso em algum lugar enfia um bordão.

O novo Zorra

Veja também o Zorra. Que já é um belo de um constraste…

Esse aqui já tem um cenário distinto para cada cena. As situações são simples mas até que conseguem ser variadas.

Viram paródias, piadas visuais, sátiras, e até algumas piadas recorrentes NÃO limitadas aos bordões…

Mas a gente não tá aqui pra falar sobre como o Zorra se tornou um ótimo humorístico da Globo. Ou como ele só existe por causa do Tá no Ar. Talvez num próximo vídeo?

O pulo do Gato no Tá no Ar

Agora… Antes de colocar o Tá no Ar nesse teste… É bom deixar um coisa, eu não quero dizer com isso que o simples fator tempo faz um programa e suas piadas serem melhores ou piores.

Considere esse experimento empírico, como um indício de algo que está muito mais nas profundezas. Especificamente, sobre como um programa de humor é escrito e como ele é produzido.

As concessões necessárias para a que emissora dê o sinal verde. As responsabilidades dos seus criadores de agradar o enorme público da tv aberta.

É assim que a gente consegue entender que enquanto alguns estão limitados à cenários e personagens fixos ou a um roteiro que se alonga porque deve explicações demais…

Comparando os Programas

O que você vê aqui é uma comparação das cenas que compõem um episódio da Escolinha, um episódio do Zorra e um episódio do Tá no Ar. Cada linha branca representa o tempo relativo de duração de cada cena.

As cenas do Zorra em geral são mais curtas, mesmo que precisem de no mínimo 30 segundos para finalmente entregar a punchline sem que ninguém se perca.

E a escolinha se alonga o máximo possível, até que na faixa dos 3 minutos a fórmula repetitiva começa a ficar cansativa demais.

O tá no ar não se importa de te deixar desconfortável com piadas que duram pouquíssimos segundos. Do mesmo jeito que se permite arrastar por minutos e mais minutos uma piada que pede por isso.

Com essa comparação e tudo mais que foi discutido até aqui. Eu acho que consigo listar basicamente 3 motivos que, juntos, resumem por que o Tá no Ar não deveria existir.

1. Ousadia em citar marcas

3 motivos para o Ta no Ar ser único 1

Primeiro, claro, a liberdade de falar o que der na telha ajuda a trazer um ar novo pra Globo e isso em si já é atraente.

Mas não é o suficiente. Se você me perguntasse eu poderia citar 2 ou 3 programas de outras emissoras com mais liberdade, que não conseguem entregar piadas tão certeiras como essas. O que me leva ao ponto 2.

2. Orçamento da Maior Emissora do Brasil

3 motivos para o Ta no Ar ser único 2

Como diz o ditado… tempo é dinheiro. Então não é qualquer programa de tv, youtuber, ou o que quer que seja, que pode se dar ao luxo de gastar o valor de produção que o Tá no Ar dispõe.

Não é a toa que, muito espertamente, eles reciclam esses valiosos segundos repetindo algumas partes trechos, fora de contexto. Criando com isso, piadas derivadas que funcionam tanto quanto as originais.

E esse tipo de formato, não vem de decisão superior da emissora, tentando controlar seu tempo de piada. É decisão criativa.

3. Liberdade aos criadores

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Esse é o ponto final. 4 temporadas se passaram e a visão criativa, aparentemente, continua sob o controle dos seus criadores.

Esses criadores, por sua vez, não precisaram subestimar a inteligência de quem tá assistindo, para alcançar o que, no fundo, no fundo, eu acho que é objetivo de todo criador e qualquer canal comunicação:

Agradar o maior número de pessoas possível!

Conclusão

Desse jeito uma boa piada pode até ter 5 minutos e, olha só, ser recorrente com o mesmo personagem, o mesmo personagem e os mesmos bordões… como “Foca lá”.

Ou pode ser uma longa e dolorosa jornada cuja grande piada é te lembrar que vocÊ acabou de perder seu tempo… como o “Te Prendi na TV”.

Enquanto no outro extremo… para fazer um bom trocadilho como “Ligue para esse número e Disk me ama” bastam 2 segundos.

Ou ainda… é possível fazer uma bela produção, gastar o tempo de um ator global… para entregar 5 gloriosos segundos de Otaviano Costa tocando piano.

Fontes de pesquisa:

[1] https://goo.gl/n3KO8a
[2] https://goo.gl/rU56ki
[3] https://goo.gl/QtTK1Y
[4] https://goo.gl/umPHgd